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A paixão mortal

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A rua estava calma e vazia, a luz era bem fraca, a noite parecia um lugar de paz e tranquilidade, era quase impossível conseguir comparar com a rua durante o dia, que era um local barulhento e inquieto. As árvores faziam sombras nos ambientes mais iluminados, as cigarras cantavam a sua melodia, para aqueles que não conseguiam dormir. Era bom e triste perceber o lugar, a minha volta, os detalhes traziam uma sensação inexplicável, mas era importante em tempos de guerra.
No momento que cheguei em casa, torci para que os meus avós estivessem dormindo, ninguém poderia saber que eu saí no meio da noite, eu não podia me encrencar de novo. Felizmente, eu não acordei ninguém e consegui dormir com facilidade e aliviado por não ter sido pego.
Na manhã seguinte, acordei com a minha avó me chamando, pedindo para eu fazer algo. E fui ao encontro dela.
Raymond, querido, vá regar as plantas, por favor – disse ela com a voz doce.
Desci os dois degraus para ir em direção ao pequeno jardim, reguei uma parte dele tranquilo e distraído, só queria que isso acabasse logo. Porém, o silêncio foi quebrado por um barulho que veio atrás de uma árvore, eu me assustei de primeira e o pensamento de ir correndo para dentro de casa passou pela minha cabeça, mas a curiosidade de saber quem ou o que era, era muito maior.
Quem saiu de trás da árvore foi uma garota, que parecia querer se esconder de todo o mundo, de cabelos ruivos e ondulados, como se fossem ondas de fogo, o que fez o meu coração incendiar imediatamente, e de olhos azuis como o céu durante um dia ensolarado no meio da manhã, aparentava que um pedaço dele foi parar no olhar dela, o que colocou um sorriso largo no meu rosto. Fiquei desnorteado com a beleza dela, meu coração por um momento errou algumas batidas e esqueci como se respirava, eu não acreditava em amor à primeira vista, mas depois disso passei a pensar ser verdade. Eu poderia dizer estar apaixonado por ela, mesmo sem nunca ter trocado uma palavra.
Quando terminei de regar o jardim, voltei para dentro de casa, a imagem da menina atrás da árvore passava na minha cabeça, e ela repetia diversas vezes. No momento que coloquei o pé em casa, minha avó me olhou de uma maneira estranha, porém, não perguntou, provavelmente estava na minha expressão que algo tinha acontecido, porque no meu rosto tinha um sorriso.
Dias se passaram, e aquela menina continuava na minha cabeça, escrevi textos e cartas sobre ela, o cabelo em chamas e os olhos da cor do céu, mas eu nunca mais a vi, todos os dias eu ia para o jardim na esperança de encontrá-la e conseguir falar com ela. Porém, não obtive sucesso.
Em um determinado dia, a minha avó chegou com uma notícia, porém, não imaginava que seria uma que faria o meu mundo desabar.
Acabei de saber que os alemães levaram uma família dessa rua para um campo de concentração, pelo visto o que chamou a atenção deles foi uma menina de cabelo ruivo tentando se esconder – ela disse com a voz pesada e triste. Meu coração se partiu em milhares de partes.
No momento que eu ouvi as palavras saírem da boca da minha avó, perdi o meu chão e todas as esperanças foram jogadas fora. Abaixei a cabeça, levantei e fui para o meu quarto. Naquela hora, compreendi que nada me confortaria, decidi deitar na cama e chorar incansavelmente, as lágrimas grossas desciam e molhavam o travesseiro, não importava quanto tempo passasse eu iria continuar lamentando. Só sei que chorei até adormecer.
Assim, eu nunca mais acordei. Morri com o coração partido, longe de minha amada.

Conto criado por Anna cecilia, vencedora do concurso de contos da sua escola.

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